
Bairro · São Paulo/SP
Santana
A fazenda dos jesuítas que virou o bairro mais completo da zona norte: distrito desde 1889, trem desde 1894, Metrô desde os anos 1970 — e um parque no lugar do Carandiru.
A narrativa do bairro
Santana nasceu da Fazenda de Sant’Ana, propriedade da Companhia de Jesus na margem de além-Tietê, e virou distrito de paz pela Lei provincial nº 99, de 4 de abril de 1889, desmembrada de Santa Ifigênia. Quem urbanizou o bairro foi o trem: o Tramway da Cantareira, construído em 1893 para carregar o material da adutora que traria água da serra até a cidade, passou a transportar passageiros em 23 de setembro de 1894, e a estação Santana ancorou a ocupação das ruas Voluntários da Pátria, Alfredo Pujol e Duarte de Azevedo e da Avenida Cruzeiro do Sul. A Linha 1-Azul do Metrô corre hoje sobre parte daquele traçado — a antiga Estação Areal, que ficava em frente à Casa de Detenção, é onde está a Estação Carandiru. A parte alta veio depois: o Alto de Santana se formou com a expansão para as colinas, com um loteamento aberto em 1924 nas terras da família do conde Alessandro Siciliano, já dirigido a compradores de maior renda.
Há um detalhe que quase ninguém associa ao valor dos imóveis daqui: o Aeroporto Campo de Marte, primeiro aeroporto de São Paulo e hoje a maior frota de helicópteros do Brasil, impõe teto aeronáutico ao seu entorno. Construção acima de certas alturas depende de autorização do controle do espaço aéreo, e o raio de maior restrição foi ampliado com a concessão do aeroporto. Traduzindo para o mercado: torre alta na zona norte é exceção autorizada, e não estoque — quem já tem a cota alta tende a mantê-la.
O tecido residencial é consolidado e o teto aeronáutico limita a altura. Lote que comporte torre com terreno de verdade é raro, e o apartamento de mais de quinhentos metros quadrados é produto que a região praticamente não repete.
Santana: a zona norte completa — Metrô, hospital, colégio de 1923 e um parque no lugar do presídio. E um aeroporto que impede a cidade de tapar a vista.
O entorno
- Clubes: o Clube Espéria, fundado em 1º de novembro de 1899 por sete jovens italianos como sociedade de remo à beira do Tietê e instalado desde 1903 na margem em que está até hoje, com cerca de 80 mil m² de área.
- Escolas: o Colégio Imperatriz Leopoldina, aberto em 1923 por imigrantes alemães como Hindenburg Schule, na Voluntários da Pátria, e hoje na Rua Pedro Doll — nome que homenageia outro imigrante alemão; e o Colégio Salesiano Santa Teresinha, no bairro vizinho.
- Gastronomia e lifestyle: as ruas Voluntários da Pátria e Alfredo Pujol são a espinha comercial e gastronômica do bairro; o Anhembi e o Sambódromo, na várzea, trazem a agenda de grandes eventos; e a Biblioteca de São Paulo, dentro do Parque da Juventude, soma mais de quarenta mil títulos em quatro mil metros quadrados.
- Parques: o Parque da Juventude, erguido sobre o antigo complexo do Carandiru com paisagismo de Rosa Kliass; o Horto Florestal — Parque Estadual Alberto Löfgren, criado em 1896, 187 hectares no pé da serra, com o Palácio de Verão do governo do Estado e o Museu Florestal; e a própria Serra da Cantareira, que fecha o horizonte.
No acervo Fragata
Um endereço deste bairro está no acervo, com a ficha completa. A curadoria segue mapeando os demais.


