Assinatura · Arquitetura · São Paulo
Júlio Neves
Seis décadas de escritório em São Paulo, e uma obra que se mede em quarteirões: shopping centers, complexos multiuso e as operações urbanas que redesenharam o quadrante sudoeste da cidade.
Quem é
Júlio José Franco Neves (São Paulo, 1932) formou-se pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, entre 1950 e 1955, na geração que viu Brasília nascer. Em abril de 1966 fundou o Escritório Técnico Júlio Neves — hoje Arquitetura Julio Neves —, casa de projeto, consultoria e planejamento que se firmou como uma das maiores do país em obra de grande porte: shopping centers, sedes de empresas, hospitais, hotéis, escolas e planejamento urbano.
A vida institucional acompanhou a de projeto. Presidiu o IAB-SP em 1966–1967 e, mais tarde, o IAB nacional e a AsBEA, a associação dos escritórios de arquitetura. Foi presidente do MASP durante catorze anos: eleito pela primeira vez em 1994, sucessivamente reconduzido em mandatos bienais, deixou o cargo em 2008. Em 2010 foi aprovado, sob sua influência, o projeto de expansão do museu em terreno contíguo, envolvendo a reforma do Edifício Dumont-Adams.
O outro lado da obra é urbano, e foi disputado publicamente. Em 1986, contratado pela administração de Jânio Quadros, apresentou o Boulevard Zona Sul: uma via que ligaria a Avenida Brigadeiro Faria Lima à Engenheiro Luís Carlos Berrini, com demolição e reurbanização de quadras inteiras em Pinheiros, no Itaim Bibi e na Vila Olímpia. O projeto ficou parado na gestão Luiza Erundina e ressurgiu na gestão seguinte na forma de operação urbana, ajustado às demandas dos moradores — a Operação Urbana Faria Lima, que prolongou a avenida e criou o eixo corporativo que São Paulo tem hoje. Foi contestado por parte da população dos bairros envolvidos na época; é, de todo modo, uma das intervenções que mais mudaram a geografia do alto padrão paulistano.
Linguagem
- Estilo: arquitetura comercial e corporativa de grande escala, pragmática e voltada ao funcionamento, pensada junto com o desenho urbano do entorno em vez de contra ele.
- Materiais e marca: o complexo multiuso como unidade de projeto — shopping, escritório e residência costurados no mesmo quarteirão, com circulação interna entre as peças. No Praça Villa Lobos, o gesto é a praça: nove torres esbeltas afastadas umas das outras, para que nenhuma bloqueie a vista da outra, em volta de treze mil metros quadrados de vazio deliberado.
- Reconhecimento: presidiu o IAB-SP (1966–1967), o IAB nacional e a AsBEA, e dirigiu o MASP por catorze anos.
Obras-ícone
- Complexo Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros: o Shopping Villa-Lobos e o residencial Praça Villa Lobos, ligados por passagem interna.
- Shopping Iguatemi Campinas.
- Operação Urbana Faria Lima e o prolongamento da Avenida Brigadeiro Faria Lima, a partir do projeto Boulevard Zona Sul.
- Projeto de expansão do MASP em terreno contíguo, com reforma do Edifício Dumont-Adams.


