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Assinatura · Arquitetura · São Paulo

Anuar Hindi

O arquiteto e empresário que verticalizou o Paraíso — e que, ofendido por um grupo de amigos, ergueu em Higienópolis o único prédio de andar inteiro que sua companhia construiu.

Quem é

Anuar Hindi é arquiteto e empresário, fundador da Hindi Cia. Brasileira de Habitações, construtora e incorporadora ativa em São Paulo entre 1967 e 1983. Sob a direção dele, a companhia se tornou a grande fábrica de apartamentos do mercado médio paulistano no auge do Banco Nacional da Habitação, produzindo em ritmo industrial com recursos do Sistema Financeiro da Habitação e uma fachada tão reconhecível que virou assinatura — pastilha colorida e persiana de correr.

A produção da casa é uma das mais bem documentadas do período: virou objeto de dissertação de mestrado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, defendida em 2009, para a qual o próprio incorporador foi entrevistado, ao lado de clientes e fornecedores. Os edifícios da Hindi, concentrados no Paraíso e presentes também em Higienópolis e no entorno do Parque Ibirapuera, seguem procurados cinquenta anos depois pela planta ampla, pela iluminação natural e pela solidez da obra.

Na segunda metade dos anos 1970 a casa move-se em direção ao alto padrão. É desse momento o episódio mais contado da trajetória dele: preterido por um grupo de vinte amigos que comprara um terreno na Alameda Franca e recusou contratar a Hindi sob o argumento de que ela “não era de prédio de luxo”, Anuar Hindi comprou um terreno na Rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, ergueu ali um edifício mais luxuoso que o deles — o Palma di Montechiaro, de 1974, com um apartamento por pavimento — e convidou os vinte para o coquetel de inauguração, com a obra do grupo ainda inacabada. O episódio está registrado no levantamento acadêmico que estudou a produção da companhia entre 1967 e 1977.

Linguagem

  • Estilo: habitação vertical produzida em escala, com projetos padronizados e forte apelo plástico de fachada; na virada para o alto padrão, linguagem mais ornamentada e massa pintada no lugar da pastilha.
  • Materiais e marca: pastilha colorida e persiana de correr, planta ampla, boa iluminação natural, áreas verdes no térreo. A tipologia de quatro dormitórios só entra no catálogo na segunda metade dos anos 1970 — é o marcador da virada para o luxo.

Obras

  • Palma di Montechiaro, em Higienópolis — Rua Rio de Janeiro, 33; um apartamento por pavimento, 473 a 500 m², quatro suítes e quatro vagas por família; construção de 1974. É o único empreendimento de andar inteiro de toda a amostra levantada da produção da companhia.
  • Fora do recorte do acervo, a produção da Hindi está documentada em endereços do Paraíso e da Rua Caconde, entre outros, e integra o acervo de arquitetura da FAU-USP.

Assinaturas na carteira

Nenhum condomínio do acervo leva esta assinatura por enquanto — ela está aqui pelo peso do nome no alto padrão paulistano.

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