Assinatura · Arquitetura · São Paulo
Jorge Zalszupin
Nasceu em Varsóvia, formou-se em Bucareste e escolheu São Paulo. Projetou os edifícios e, por não encontrar os móveis que queria dentro deles, fundou a fábrica que os fez.
Quem é
Jorge Zalszupin (Varsóvia, 1º de junho de 1922 — São Paulo, 17 de agosto de 2020) fugiu da perseguição aos judeus na Polônia e concluiu o curso de arquitetura na Faculdade de Arquitetura de Bucareste, na Romênia, entre 1941 e 1947. Emigrou para o Brasil em 1949, atraído pelo modernismo de Oscar Niemeyer e Lucio Costa, e fixou-se em São Paulo, onde fez a carreira inteira e morreu aos 98 anos. Trabalhou ao longo dela ao lado de nomes como David Libeskind, Lucjan Korngold, Jorge Wilheim e Eduardo Corona.
A dupla vocação é o que o distingue. Em 1959 fundou a L’Atelier, pioneira na produção seriada de móveis modernos no Brasil — até então, mobiliário de autor no país era peça única. A cadeira Dinamarquesa, do mesmo ano, saiu na primeira coleção da casa e virou um dos ícones do design brasileiro; peças suas foram escolhidas por Oscar Niemeyer para o Palácio da Alvorada e o Palácio do Planalto. O desenho de móveis não era hobby ao lado da arquitetura: era a mesma investigação em outra escala, e é por ele que Zalszupin é mais conhecido hoje, dentro e fora do país.
Na arquitetura, sua produção residencial em São Paulo é enxuta e precisa. O Helenita, de 1962, projetado com Henrique Alexander em Higienópolis, é a peça em que o vocabulário aparece inteiro: torre monolítica sobre pilotis hexagonais revestidos de mármore, vigas metálicas esbeltas alternando com janelas em fita, marquise suspensa e passarela sobre espelho d’água até um hall desenhado como caixa de vidro — o estilo internacional de Mies van der Rohe traduzido para dezesseis famílias, uma por laje. É uma das poucas obras residenciais dele que seguem em circulação no altíssimo padrão.
Linguagem
- Estilo: estilo internacional em chave brasileira — a caixa de vidro e a estrutura aparente do repertório miesiano, resolvidas com o rigor de quem também desenhava a cadeira que ia ficar lá dentro.
- Materiais e marca: mármore nos apoios, vigas metálicas esbeltas e janelas em fita na fachada, espelho d’água e marquise suspensa no acesso; e a cor — o azul-marinho intenso do Helenita é assinatura sua, o gesto que tira o prédio da neutralidade cinza. No mobiliário, o jacarandá, o couro e a peça que se produz em série sem perder o desenho de autor.
- Reconhecimento: obra e vida são assunto de livros e exposições no Brasil e na Polônia, entre eles Jorge Zalszupin: Design Moderno no Brasil, de Maria Cecília Loschiavo dos Santos, e o próprio livro de memórias do arquiteto, “De * pra lua”.
Obras-ícone
- Edifício Helenita (1962), com Henrique Alexander, em Higienópolis.
- Edifício Torre Paulista, São Paulo.
- Edifício Top Center, São Paulo.
- Edifício Wilson Mendes Caldeira, São Paulo.
- Residência Sacha Feher e Residência Henrique Flatauer, São Paulo.
- Interiores da fábrica da Mercedes-Benz.
- A L’Atelier e o mobiliário do Palácio da Alvorada e do Palácio do Planalto, a convite de Oscar Niemeyer.


